domingo, 7 de março de 2010

Party Crashers - Parte 3

- Muito boa noite a todos. - A voz era límpida e perfeita, ecoava cristalina em meus ouvidos, embora o falante fosse apenas uma sombra ao longe - Meu nome é Victorio Santieri, estou aqui para concluir um negócio com o Sr. Wright, por favor, não interfiram. Meus companheiros estão aqui para assegurar que a transação ocorra sem maiores entraves. Se um de vocês pudesse abrir o portão e nos convidar para entrar, eu ficaria extremamente grato.

Tenho certeza de que todos ouviram Santieri falar, mesmo os que estão trancados num dos quartos da mansão, mesmo os que estão inconscientes, jogados em algum sofá, devem tê-lo escutado em sonho. A voz é amigável e segura, calma, mas infinitamente penetrante. Ainda há muitas pessoas do lado de fora, as primeiras a verem meu irmão voltar e subir para o escritório. Aparentemente não sabiam que Victorio estava em seu encalço e continuaram a se fartar da bebida e da comida. Pararam de rir e de beber para escutar. Outros chegam aos jardins do lado de fora, vindos de dentro do casarão, implorando por clemência. Ouço gritos e o pranto desesperado de alguns.

Um jovem alto e forte se dirige ao portão. Vai abrí-lo. Não será necessário.

Duas "sombras" saltam do meio da rua, alcançam uma altura surreal. Agora, posso ver seus rostos contra o luar. Saltando por sobre o muro e rindo alto. As feições distorcidas em sorrisos insanos, cheios de malícia e prazer sádico. Começam a disparar antes mesmo de pisarem no chão. O ronco das metralhadoras abafa os gritos, mas não o riso dos dois.

As balas descem numa tempestade de chumbo, varando a carne e os ossos dos pobres jovens no gramado, juntas estourando, crânios arrebentando. Sangue jorra, regando o jardim. Não consigo ouvir gritos, mas vejo o desespero em suas faces. O ronco ininterrupto das Thompsons é seco e artificial, um grito mecânico que não conhece a compaixão. Já vi muitos tiroteios. Participei deles. Mas isso é um massacre, e destes eu só conheço a sujeira que fica espalhada na cena do crime.

Eles avançam, pararam de atirar, mas ainda riem. Há duas garotas abraçadas, cobertas com o sangue de seus amigos, se arrastando juntas para longe dos atiradores. Um dos desgraçados largou a arma no chão e está correndo, correndo apoiado nas mãos e pés, correndo como um animal de quatro patas. Ele se lança sobre elas. Deuses, não posso gritar. Ele está mordendo e dilacerando. Não vou gritar, não vou. Elas choram e imploram e eles riem...

Não vamos conseguir, em segundos, Victorio vai estar aqui e vai vingar a morte do seu irmão. Estão batendo na porta do quarto gritando por socorro. Têm cadáveres ornamentando o gramado e pessoas correndo enquanto dois monstros sádicos avançam. Um deles com duas metralhadoras, o outro, com presas e garras. Sobreviventes correm em direção ao portão, outros, para dentro da casa.

Não é mais seguro olhar pela janela, abaixado, de costas para a parede, só posso esperar o momento certo.

Um estrondo metálico. Acho que derrubaram o portão.

- Marcus, faça alguma coisa, por favor.

- Quando entrarem, atire. Faça-os sangrar, Leon, talvez isso os canse um pouco e poderemos fugir.

Gritos de desespero - Isso não vai acabar nunca, cada segundo é uma eternidade. Ronco de metralhadora. Risos de um sádico. Rugido bestial. Posso sentir um cheiro misturado de pólvora e sangue se elevar no ambiente. As súplicas agonizantes por piedade são ignoradas, seguidas por gemidos de dor.

A voz imponente de Victorio ecoa do salão, parece se divertir:


- Esperem para beber depois, rapazes. Juntem os corpos nesta sala, vamos precisar deles. - Não quero nem imaginar que uso macabro (alimento, diz uma voz em minha cabeça) eles terão para os cadáveres. – Thorsen, vá ver se há mais alguém respirando nesse andar, volte quando não houver.

Silêncio.

Passos perto da porta. Meus dedos estão coçando, pedindo para disparar. Minha estaca improvisada tem que funcionar, talvez eles fiquem surpresos e baixem a guarda.

Um baque surdo, a porta é derrubada com um cadáver decapitado. Aple grita como uma alma condenada. Victorio está de pé do outro lado com dois dos seus homens.

- Olá, senhores. - O dono da bela voz operística tem uma aparência jovem. – Perdoem-me por interromper sua pequena “reunião de família”. - Está vestido impecavelmente, seu terno deve ter sido feito sob encomenda, é um tanto conservador, mas ainda assim imponente, uma cor forte que contrasta com o cinza pálido do sobretudo e do chapéu. – Infelizmente, me parece que nossas duas famílias acabaram se envolvendo em um nível muito... Pessoal. - Ele sorri como se tudo estivesse sob seu controle.

E está.

A expressão no seu rosto é quase amigável, quase sinto vontade de me levantar e retribuir a cordialidade. Mas tem algo que não está certo. Seus olhos o traem, mostram uma frieza que contradiz sua cordialidade, uma experiência que denuncia sua verdadeira idade, uma crueldade que não é de todo humana.É um vampiro, sem dúvida. Nunca pensei que veria um tão de perto, nunca quis isso, mas já me envolvi por vezes demais com seus servos e asseclas.

A esquerda de Victorio, um homem encorpado, não exatamente forte. Com cabelos longos puxados para trás numa pobre tentativa de parecer formal. Sua expressão é indiferente, quase bovina. Estar ali para ele deve ser como ir ao supermercado ou a um posto de gasolina. Porém, vejo sangue pingando do seu cavanhaque castanho. No flanco oposto, um homem mediano, pálido e estranho, mantém os olhos fixos no vazio e sorri, mostrando dentes brancos, perfeitos e um tanto quadrados. Ao contrário do seu colega, ele parece achar graça naquilo tudo. Pela sua expressão, deve ter achado graça do funeral da própria mãe, também.

Leon está correndo antes que eu possa dizer algo para impedi-lo, sua própria estaca nas mãos, como uma lança, mirando no coração do líder daquele bando profano de assassinos. Nenhum dos guarda-costas de Santieri move um músculo. Victorio apenas muda a sua postura: o sorriso amigável e calmante se transforma numa feição de preocupada desaprovação, como uma professora do jardim de infância olhando para um garotinho levado.

Leon pára. Aponta afiada da madeira a centímetros de distância do coração do maldito Santieri. Os olhos de meu irmão dançam das órbitas, buscando entender o que está acontecendo – eu não faço ideia. Ele parece lutar com todas as forças para atingir seu alvo, mas seu corpo está completamente imóvel, o peso apoiado sobre a perna direita, que se dobra para impeli-lo para frente.

- Garoto ingênuo – Diz Victorio, num tom professoral. – Acha mesmo que pode me fazer algum mal? Assim, correndo pra cima de mim como um bárbaro? Eu não sou igual ao bastardo que você matou mais cedo, criança. Ele tinha meu sangue, mas não era d’A Família, ainda. Estava próximo, muito mesmo. Ele era minha responsabilidade, meu “irmão”. – Leon parece assustado demais para responder, e acho que não conseguiria mexer os lábios mesmo se não estivesse.

- Se era sua função cuidar dele, por que o deixou sozinho por aí, traficando e estuprando? – Espero não ter deixado o medo transparecer na minha voz.Espero que ele não veja a estaca escondida em meu casaco.

- Ah, detetive, eis a questão.

- Sabe que eu não trabalho mais com isso.

- Sei sim, e sei que a lembrança disso o incomoda. Sabe, Hugo foi uma falha minha, do mesmo jeito que este garotinho insolente é falha sua. Vim aqui cobrar a dívida de sangue que ele fez ao estourar os miolos de um parente meu. É assim que nós...

- Me solte! Seu demônio filho da puta! Eu matei seu irmão e vou matar você! – Leon interrompeu. De algum modo, o controle de Victorio sobre ele havia diminuído. Talvez por que eu desviei sua atenção. O vampiro voltou seu foco imediatamente para meu irmão.

- Você já me causou problemas demais, está na hora de acertar nossas contas.

Os olhos de Leon se tornaram leitosos, como se uma catarata instantânea tivesse tomado conta de sua visão. Ele se moveu e soltou a estaca no chão. Ficou de pé, imóvel como um boneco.

Era a minha chance, Victorio estava concentrado demais em controlar os movimentos de Leon.

A marionete humana que é meu irmão busca a magnum em sua cintura. Saca devagar e descreve um arco para trás, na direção da mulher encolhida no canto do quarto.

Eu avanço, estaca em punho.

Um comentário:

  1. QUE MISERIA AMOR
    termine logo ¬¬
    e eu acho que marcus é um cuzão :X
    Victorio não vai perder pra Marcus de jeito nenhum.
    Marcus poderia ser um lobinho dskpoaskpoaskposak
    seria engraçado, sério.
    sei lá, mas acho que a historia ia ficar gigante.

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