segunda-feira, 1 de março de 2010

Party Crashers - Parte 1

Seis sombras se colocam lado a lado sobre o asfalto cinzento e imundo. Vistos do segundo andar, por de trás dos altos muros do casarão, eram todas iguais: silhuetas masculinas contra as luzes da rua, com casacos pesados, talvez usando chapéus, embora seja noite.

A mansão é enorme, não sei quem é o dono e não gostaria de estar na pele dele. Os homens lá fora têm uma má reputação quanto a danos contra a propriedade. Estou num dos quartos mais altos, junto com o motivo de eu ter vindo aqui – meu irmãozinho querido.

Queria arrancar a cabeça dele por nos meter nessa.

A mobília está limpa e nova, parece que nenhum dos “convidados” para a festa encontrou este cômodo: não sinto cheiro de vômito ou maconha e não há qualquer tipo de pó ou agulhas por perto. Não me importei em apagar a luz, tenho certeza que já fomos avistados.

Acho que posso ver os contornos quase elegantes de uma metralhadora Thompson, uma droga de uma relíquia dos anos 70, pode parecer estúpida se comparada com fuzis de assalto modernos, mas é assim que eles gostam da coisa: quanto mais estereotípico, melhor. Os Santieri possuem hábitos um tanto excêntricos, mas estão longe de serem palhaços, são piores que qualquer gangue de rua ou tropa de choque policial.

Mas eu não estou preocupado com as metralhadoras de grosso calibre, nem com a mira mortal dos psicóticos que trabalham para os Santieri. Estou preocupado com o que ouvi mais cedo, pouco antes de todo mundo entrar em pânico: "Victorio está vindo.”

Pois o maldito tinha vindo e trazido cinco de seus homens - homens? posso chamá-los assim? . Ele não era um matador qualquer, não era mais um dos capangas sanguinários que cuidavam do trabalho sujo.
Victorio pertencia à Família.

Quando um Santieri se envolve diretamente nesses negócios - negócios de chumbo e fogo - pessoas morrem.

Se eu tiver sorte, apenas todos nesta casa vão morrer. Tenho que tentar tirar meu irmão daqui, e depois acabar com a raça dele por se meter com a pior organização criminosa do país, diabos, talvez eles sejam os mais perigosos do continente

Pois aqui estou eu, me preparando para enfrentar seis maníacos armados com metralhadoras de grosso calibre. Tenho dois Taurus .38 e menos balas do que gostaria; meu irmão tem uma Magnum .44, mas está ocupado demais tentando acalmar sua mulher, que parece que vai começar a gritar a qualquer minuto.

Mas minhas balas não vão adiantar nada.

Tem uma mesa retangular no centro do quarto. Quebro uma das pernas e começo a afiar uma ponta de madeira com meu canivete de estimação. Meu irmão e a mulher dele estão olhando com medo e surpresa nos olhos. Estão começando a entender que a noite vai ser longa, muito longa.

- Que diabos você está fazendo, Marcus?

Continuo afiando, tenho que ser rápido, Leon parece que já entendeu antes que eu respondesse e começa a trabalhar em seu próprio pé de mesa – seu canivete é idêntico ao meu. No canto do quarto a mulher, acho que a chamam Aple, parou de chorar, está com aquele olhar vazio de quem já se entregou ao medo.

Está bem afiada, espero que consiga causar algum dano, não queria que se lembrassem de mim como alguém fácil de matar. Queria ter algum jeito de fazer fogo, mas achar a cozinha desse lugar enorme vai me tomar um tempo que não tenho.

Não ouço sons do lado de fora da porta, a música parou de tocar há algum tempo. Toda aquela gente barulhenta e desagradável deve estar morrendo de medo, os Santieri são famosos entre traficantes e viciados. Vendem droga da melhor qualidade e exigem seus pagamentos na data e hora combinadas. Todos no submundo da cidade conhecem pelo menos uma história do “amigo do primo de um conhecido” que não pagou o que devia e acabou numa poça de seu próprio sangue e vísceras.

“Ou você despeja a grana, ou eles despejam seu sangue”, era como diziam. Por que diabos fui me envolver nessa situação? Tudo isso para proteger um irmão inconseqüente e ingrato? É por um bando de vagabundos e viciados que vou sangrar hoje?

Mas Victorio e seus rapazes não estão aqui para derramar sangue.

Vieram bebê-lo, e aposto que estão com sede.

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