quinta-feira, 4 de março de 2010

Party Crashers - Parte 2

Quando vim a essa festa não fazia ideia do que a noite me reservaria. Meu plano era entrar, encontrar Leon e a vadia dele e passar meu " velho sermão". Esperava ter que bater em um ou dois imbecis, talvez - seria até bom para "descarregar" a tensão, eu pensei. Podíamos ser donos dos nossos narizes e ter nossas próprias vidas agora, mas eu ainda era o mais velho, e isso implica certas responsabilidades.

Quando cheguei, a música estava no último volume. Haviam luzes coloridas iluminando a fachada do casarão e pessoas dançando, bebendo e destruindo a decoração alegremente no gramado. Entrar havia sido fácil, sendo irmão do organizador daquela orgia química disfarçada de aniversário. O grande portão de aço foi aberto pelos seguranças da mansão quando viram o sobrenome Wright em minha identidade. Os muros eram altos e cinzentos, sem quaisquer adornos, apenas concreto maciço.
O casarão, pelo contrário, era muito bonito, rodeado por jardins e provavelmente projetado por um arquiteto muito bem pago. Mesclava a sobriedade pragmática de um homem de negócios com a preocupação estética de um escultor, o que talvez revelasse algo sobre a personalidade do proprietário.

Embora fosse assim tão bela e bem cuidada, abrigava um bando bastante barulhendo de beberrões, fumantes e todo tipo de "degustador de psicotrópicos". A música era uma fachada, a decoração um disfarce, os garçons e cozinheiros de plantão, mero capricho. Estavam todos lá apenas pela droga gentilmente fornecida por Leon Wright, o mais novo "aviãozinho de luxo" da cidade.

É incrível como a gente conhece uma pessoa durante toda a vida, passa a gostar dela, amá-la, para só depois sofrer uma decepção fria e cruel como uma faca pelas costas. Tudo bem, eu cometi meus erros, machuquei algumas pessoas, tenho um caminhão de defeitos de todos os tamanhos e formas.

Mas, porra, pelo menos eu não preciso cheirar nem injetar nada para fingir que tenho controle sobre minha vida.

Entrei na casa, o salão principal era gigantesco, cheio de sofás e poltronas e pessoas jogadas pelos cantos. Uns riam feito loucos, outros bebiam vodka importada direto da garrafa, outros estavam simplesmente desacordados. Gritei por meu irmão, não houve resposta. Haviam portas demais e uma escadaria imensa subia, quase formando uma espiral, até o segundo andar.

Caminhei até o centro da sala, um tanto indeciso. Felizmente, Leon e Aple vieram descendo num passo apressado, quase uma corrida, acompanhados de dois seguranças. Ignoraram minha presença completamente.

- Seu traficante de merda! Deixa um homem
armado entrar aqui só por ser seu irmão? - gritei, indignado, alguns dos presentes levantaram as cabeças, assustados, os "gorilas de terno" fizeram menção de sacar suas armas, mas foram dissuadidos por Leon, que parecia preocupado demais com algo para dar importância um irmão mais velho mal-humorado.

- Está tudo bem, rapazes, levem meu irmão ao escritório. Volto em minutos.

Ele saiu sem nem se virar, mandei os guarda-costas se foderem e sentei numa poltrona vazia. Meu irmão costumava se borrar de medo ao me ver com raiva, e se havia algo preocupante o suficiente para fazê-lo desconsiderar minha visita, era algo grande.

A música era alta e ruim, batidas eletrônicas sem sentido, ruidos sobrepostos e sintetizados, sem qualquer habilidade ou arte. Comecei a pensar: valia mesmo a pena todo aquele esforço para repreender meu irmão? Ele era bem mais novo e bem menos prudente, mas já podia cuidar de si mesmo. Não podia? Tinha mulher, seu próprio "negócio" - sujo, sim, mas o meu também era. Nossos pais já haviam morrido e a família, se desfeito. Não era hora de arrumar as malas e partir? Viajar e descansar, quem sabe meus cabelos parariam de embranquecer precocemente. Já vi coisas horríveis demais para um homem só, uma festa de viciados não era nada importante. Quer dizer, acaso sou o guardião de meu irmão?

Diabos, sou, sim.

Meia-hora depois, o som de gritos e passos apressados voltou ao salão, me arrancando do transe em que meus pensamentos haviam me mergulhado. Eles estavam voltando, os "convidados" estavam tão cheios de álcool e fumo e sei-la-mais-o-que que pareciam zumbis. A mulher tinha a face inchada e vermelha, lágrimas e histeria em seu rosto; o de Leon parecia uma máscara feita de raiva.

- VADIA! Era só entregar o dinheiro a ele e pegar a mercadoria! VOCÊ FODEU COM TUDO!
- EU? VOCÊ atirou nele!
- Queria que eu deixasse ele te agarrando e voltasse sozinho? A culpa é sua!
- SEU VICIADO DE MERDA!

Nunca ensinei meu irmão a desrespeitar as mulheres, muito menos a bater nelas.

- Leon. - Só agora ele havia percebido que eu ainda estava lá. E estava
furioso. - Precisamos conversar.

Subimos até um quarto no segundo andar, da janela, eu podia ver a rua asfaltada e imunda. Havia uma mesa de madeira no centro, uma cama de casal num canto. O carpete era escuro e as paredes claras, decoradas com quadros imponentes.

- Já vi que você tem problemas maiores do que eu para resolver, maninho, vamos dar um jeito neles antes de eu chutar sua bunda. Me conte tudo.

- Marcus... seu idiota... vá pro inferno...

- Pelo que eu ouvi, você teve problemas numa negociação. Quem é o seu fornecedor? Não trabalho mais para a polícia há alguns anos, você sabe, pode contar.

- Não interessa, estamos perdidos. - Aple chorava, sentada num canto, pensei ouví-la murmurar uma prece.

-Me conte o que houve.

-O desgraçado pensou que podia fazer o que quisesse, ele quis
aumentar os preços, falou coisas sobre o valor de um fornecedor confiável e sobre uma taxa extra pela urgência, o bastardo. Quis comer minha mulher, ali mesmo, na hora da troca, disse que ela pagaria pela heroína que havíamos negociado.Eu atirei. Ah, aquele filho da puta...

- Então, quem era mesmo esse filho da puta?

- Você não vai gostar: Hugo Santieri.

Santieri. Foi aí que eu descobri que ser o guardião de meu irmão ia acabar me levando mesmo pro inferno.

-Ah, seu merda, você ainda é o mesmo garoto idiota de sempre. Eu já lhe disse um milhão de vezes, eu sempre lhe disse, para não se meter com A Família. Então, deixa eu ver se eu adivinho o que aconteceu: voce acertou o desgraçado com sua 44 e estourou o ombro, o peito ou quem sabe a barriga dele, e ele continuou lá, de pé, olhando pra tua cara e sorrindo.

- Você andou usando alguma coisa da minha festa? Tá ficando maluco de vez? Ele morreu, a cabeça dele deve estar espalhada pelo chão até agora!

Inferno? Devia ser um bom lugar para estar agora, melhor que naquela casa, com certeza.

- Você
matou um Santieri? Um membro legítimo d'A Família? Tem CERTEZA disso? SABE O QUE ISSO SIGNIFICA?

- É, atirei e ele morreu, como qualquer pessoa. Estamos fodidos, eu sei, mas por que é difícil pra você acreditar em mim?

- Você vai descobrir da pior maneira. - Um ronco de motor se aproximando da rua pontuou a minha frase com ironia macabra. - Se preparem para o pior.

Um comentário:

  1. HUm amor, faça logo a outra parte!
    Quero 'ler sangue' **-**
    e o nome Aple... é bem idiota mesmo, ficou bem pra ela hihihi

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