quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

We write.

Por quê escrevemos?

A humanidade, ao que parece, começou bem cedo a querer representar, explicar e comunicar o mundo de forma inteligível. Passamos a documentar não apenas os fatos ao nosso redor, mas nossos sentimentos e impressões sobre as maravilhas e os horrores do mundo.Mas, mesmo assim, por que escrevemos sobre coisas que nunca vimos? Coisas que compõem o material dos sonhos, do medo e da loucura?

Simples, pra impedir que essas coisas nos alcancem.

O pensamento é uma coisa curiosa, nos debruçamos sobre teorias e conjecturas e ideias sobre toda e cada coisa com a qual entramos em contato, seja ou não diretamente. Algumas dessas ideias são como um bom vinho: amadurecem com o tempo. Nossas convicções tornam-se mais sólidas, nossas aspirações, mais definidas.

Mas ai tem aqueles pensamentos que não sabemos de onde vieram.

Coisinhas pequenas, sem importância.
Fantasias geradas pela solidão, pelo calor, por emoções difíceis de definir.
Essas coisas não são relevantes a princípio, mas se devidamente "alimentadas", prosperam. Crescem e tomam forma, criam raiz no solo fértil da fronteira entre o consciente e o inconsciente.

Quando você menos espera, vê aquela coisa formada nos cantos obscuros de sua mente; se contorcendo, ganindo, arranhando a porta pelo lado de dentro.
Se cada cabeça é um mundo, num espaço vazio e isolado de cada uma, longe das estrelas que são os pensamentos "saudáveis" desse universo, se esconde algo como o Azathoth, o Demônio-Sultão e a cacofonia do seu coro de flautas invisíveis. Revolve-se sob si mesmo, girando e girando, e tudo o que se desprende de sua massa desprezível toma forma como algum pesadelo na profundidade insondável da mente, mesmo do mais simplório e embrutecido ser humano.

Essas coisas ficam lá durante anos, se deixarmos, fermentando, proliferando no caos dos pensamentos. E vão nos enlouquecendo, pouco a pouco. Uns bloqueiam inteiramente suas mentes, outros são "terra fértil" para toda essa criatividade espontânea - diria até entrópica.

É a minha razão particular para escrever, dar vazão às ideias selvagens e pensamentos difíceis de subjugar, antes que essa "praga da mente" se espalhe demais e me deixe mais louco que o necessário.




And so,
We write
Through the fog of the ages
And the haze of the mind
We write.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A única coisa que pode 'se espalhar' demais na sua mente e te deixar mais louco quem é? hehehehehehehe

    belo texto amor, bem desesperado[oi?]
    e eu não vou deixar que você liberte seu leão que está preso sakposaksapokaospkpsaksa
    te amo

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  3. Excelente comentário.
    Devo dizer que foi uma verdadeira metaligüística a todos os escritores respeitáveis e capacitados.

    Nunca esperei menos de você.

    Meus parabéns pelo blog. Se os próximos posts forem tão bons quanto este, então terei boas leituras garantidas.

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